terça-feira, 19 de fevereiro de 2013


O TEMPO QUE RESTA


Acabamos de chegar do cinema. O filme foi comovente. Não, muito mais do que isso. Foi duro e provocador, porém foi genial o modo como o diretor nos levou a refletir sobre um tema tabu: a finitude humana. Evitamos a todo custo pensar nisso, não é mesmo? No entanto, “a morte em ação” mostrada no filme toca naquilo que a humanidade possui de mais intimo e trágico, nos permitindo assim, vivenciar e refletir sobre o peso de nossa finitude e a dificuldade que temos para enfrentá-la.  
Há dez anos passei meses e meses pensando nela, fui obrigada. Uma perda irreparável, algo que deveria ser proibido acontecer: ninguém deveria perder a mãe. Ah não, isso jamais. Como disse Carlos Drummond de Andrade: “Fosse eu Rei do mundo baixava uma lei: Mãe não morre nunca, mãe ficará sempre junto de seu filho”. 
Foi só então que veio como um clarão a consciência que meu tempo estava escorrendo... Estava? Não. Está! Foi incrível, comecei a mesurar minha existência. É como se eu estivesse adormecida ou habituada aos acontecimentos a ponto de não ter acesso à minha condição de mortal. Algo perturbou a lógica que conduzia a minha vida cotidiana. Acho que foi a angústia, a visão do existir para a morte. Foi um alerta. Somente a consciência da morte pode nos fazer viver plenamente a vida. O homem vive como se fosse eterno, corre para fazer tudo e não faz, talvez, o que é verdadeiramente importante, está sempre pensando no futuro esquecendo-se de viver o presente. 
Somos absorvidos pelas preocupações do dia-a-dia e flutuamos ao sabor das modas e tendências do mundo globalizado; vivemos na superficialidade. Acho que o homem corre para fugir de sua condição de ser finito, corre contra o tempo, corre do tempo, acaba perdendo tempo.






2 comentários:

Anônimo disse...

Celia, Bom DiA!!!!

Lindas Palavras, texto gostoso, reflexivo. O filme a que se refere é AMOR, li sobre há pouco tempo, me interessou muito. Vc deveria escrever mais sobre a "existencia", porque vc parece um baú cheio de boas surpresas.
Grande BJ, Roseli Durante

CéReSS disse...

Rose, muito obrigada pelo comentário. O filme e mesmo "Amor" direção de Michael Haneke, e interpretado por dois ícones do cinema francês : Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva. Ele trata de dois temas incrivelmente tabus pra gente : a finitude e a eutanásia. Vale muito assistir. Acho que temos que pensar na morte para melhor vivermos a vida não é? Beijos.